Bem vindo ao Blog de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE!

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Se você é ornitólogo profissional ou amador, ou um simples amante da natureza em especial da avifauna, este é o seu Blog. De agora em diante serão postadas novidades, notícias e informações interessantes obtidas através das pesquisas e atividades realizadas pela ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, sobre a avifauna brasileira.

sábado, 11 de novembro de 2017

Como escolher sua Câmera Fotográfica para Aves, Parte 1: Zoom e Sensor.

     Já postamos anteriormente uma série de dicas sobre como escolher um bom Binóculo para a observação de Aves (Parte1Parte2Parte3), e agora vamos fazer uma série sobre como escolher uma boa Câmera Fotográfica para Observação de Aves. Vamos novamente dividir em partes, para as postagens não ficarem tão extensas e cansativas. Serão 3 postagens que falarão sobre "Zoom e Sensor", "Abertura da lente e Foco" e "Especificações Importantes e Conclusão" respectivamente.
     Vamos então falar um pouco sobre Zoom e Sensores.
    Uma necessidade óbvia para fotografia de aves (e vida selvagem em geral) é que a Cãmera tenha uma boa lente teleobjetiva. Para quem não está familiarizado com esses nomes, uma lente Teleobjetiva é aquela que oferece o maior Zoom.
    As câmeras digitais, podem ser divididas basicamente em 3 categorias: Compactas, Superzoom, e DSLR. Cada categoria conta com câmeras dos mais variados formatos, tamanhos e quantidade de zoom. As Compactas variam normalmente de 3x (padrão) até 18x (avançado) de zoom, e possuem tamanho relativamente pequeno, são leves e fáceis de carregar.

Câmeras compactas zoom padrão. Fonte: All Things Photography

Compactas com zoom avançado. Fonte: Apartment Therapy
     As Superzoom são câmeras geralmente mais robustas que as Compactas, e como a categoria preza, são câmeras com grandes capacidades de zoom, que vão desde as 12x até modelos com 50x.

Cãmeras Superzoom. Fonte: TechTudo
   Por fim, existem as DSLR (Digital Single-Lens Reflex), que são as mais complexas e tem como característica mais notável a capacidade de trocar as lentes da câmera, inclusive sendo possível comprar apenas o "corpo" da câmera ou apenas a lente. Disponíveis basicamente em modelos de "entrada" e "profissionais".

Cameras DSLR de entrada. Fonte: Doufer

Câmeras DSLR Profissionais. Fonte: MyGadget
     No caso das DSLR os niveis de zoom são ditados pela Lente que será acoplada ao corpo da câmera, e são medidas em milímetros (mm), diferente da medida em vezes (x) utilizada para as outras duas categorias. No entanto, é possível fazer as conversões entre um tipo e outra facilmente.

Lentes para câmeras DSLR. Fonte: ORMS Connect
     Para converter a capacidade de zoom de "milímetros" para "vezes", vamos a um exemplo: uma Superzoom com 30x de zoom que apresente uma lente 24 - 720 mm, as tais 30x nada mais são do que o resultado da divisão 720 / 24. Logo, pensando numa DSLR, se você tem uma lente 70-300mm, o zoom em "vezes" seria algo em torno de 4.3x, o que parece pouco, e se fosse uma lente 18-300 o zoom em "vezes" seria de aproximadamente 17x, no entanto a aproximação máxima das duas lentes seria exatamente a mesma. A diferença entre elas seria que a lente 18 - 300 oferece toda a extensão entre 18 e 70mm para composição de cenas.
     Já devem ter percebido que pode ser uma armadilha você considerar apenas as "vezes" de zoom em uma câmera, pois nem sempre esta medida representa diretamente a aproximação. É sempre bom estar atento à quantidade de milímetros da lente em sua aproximação máxima, assim, você evita passar aquela "raiva" quando alguém aparece com uma câmera de 20x de zoom, e consegue uma aproximação maior do que a sua de 30x. 
     Bom, então qual seria uma ampliação ideal?
     Fotógrafos mais experientes costumam dizer que independente do modelo da câmera (compacta, superzoom ou DSLR) ela deve ter no mínimo, uma lente de 300mm para ter uma boa aproximação e fazer boas fotos de aves. No entanto, para as DSLR por exemplo, existem lentes de 200mm que ofecerem resultados excelentes, e as vezes você compra um determinado modelo de lente de 300mm que lhe aproxima mais do objeto da foto, no entanto, não oferece a definição que um determinado modelo 200mm oferece, onde a foto mesmo que cropada (ampliada digitalmente) retrata mais detalhes do que a 300mm.
     Obviamente, escolher uma câmera não seria nem será tão simples assim, então, não podemos nos iludir e acreditar que apenas sabendo a aproximação da lente ja basta para a escolha certa. Outros fatores que serão abordados nas postagens futuras interferem diretamente na qualidade destas câmeras e lentes, além de sua ampliação.
     Mas voltando à ampliação. O caso da Fuji HS10, que foi minha primeira câmera com zoom "bom". Ela tem a ampliação de 30x, e nominal de 24-720mm, o que representa uma distância focal excelente e aproxima bastante o assunto. No entanto, a lente tem uma ampliação real de apenas 126mm.
     Agora você se pergunta: Mas afinal, é 720mm ou 126mm??
     E eu respondo:
     - A ampliação na prática dela é de 720mm no que se compara a uma câmera de filme 35mm, ou câmera digital com sensor "Full Frame".
     Complicou ainda mais? Eu acredito... hehehe. Mas calma, já explico...
     O sensor da câmera (no caso das digitais), nada mais é do que a peça que transforma a imagem que incide sobre ele, em um arquivo digital de imagem em seus variados formatos (JPEG, RAW e etc). Câmeras "Full Frame" tem um sensor retangular grande (35mm x 24mm), que equivale ao tamanho dos filmes usados nas câmeras mais antigas, cuja qualidade até hoje ainda impressiona.
      Toda câmera Full Frame (entenda: DSLR profissionais) apresenta a ampliação exatamente igual à ampliação da lente, ou seja, se usar uma lente 200mm numa câmera desse tipo, ela vai aproximar exatamente o que se espera de uma lente 200mm.
      Uma câmera DSLR de entrada (entenda: mais barata) tem o seu sensor um pouco menor do que uma Full Frame. Sensores menores, apresentam o que chamam de "Crop factor" ou "Fator de ampliação", que é basicamente um zoom extra "embutido".
     Aí você pode pensar: Então o negócio é comprar câmeras DSLR de entrada pois oferecem mais zoom!
      Aí eu digo: Se você não se importa com detalhes minuciosos em suas imagens, e não trabalha como fotógrafo profissional, pode ser sim, mas saiba que a qualidade da imagem não será igual a de uma DSLR topo de linha.
     Se quer entender o tal do Crop Factor, faça um teste no seu computador. Anote qual a resolução atual do seu monitor, e considere ela como um sensor "full frame", aí você reduz a resolução dele, por exemplo de 1920x1080 pra 1280x720. Você notará que aos ícones ficarão maiores (como se tivesse aplicado zoom).
     Voltando às câmeras, uma DSLR da Canon, modelo T3i por exemplo, apresenta um sensor 1.6x menor que o full frame. Logo, o fator de ampliação desta câmera, é de 1.6, ou seja, se usar uma lente 200mm nesta câmera, o zoom na prática, será de 320mm (200 x 1.6), no entanto com a qualidade de imagem inferior à da DSLR Full Frame.
     A minha Fuji HS10 e seus 720mm (na prática), apresenta uma lente de 126mm reais, só que o sensor dela é tão pequeno (1.2/3) que o seu fator de ampliação é de 5.7x. Isso representa uma queda ainda maior na qualidade da imagem em relação às DSLR Full Frame.
     Eis uma representação gráfica para se ter idéia da diferença de tamanho dos sensores nas câmeras.
Comparação entre o tamanho dos sensores de câmeras. Fonte: numerofblog.wordpress.com
     Para esclarecer a questão do fator de ampliação, eis uma imagem hipotética de uma mesma cena sendo captada por sensores de diversos tamanhos, utilizando a mesma lente. 
Representação do Crop Factor. Fonte: Viamoi
          Não entendeu ainda como um sensor menor representa maior fator de ampliação ou Crop Factor?
     Para demonstrar na prática usufrui do lendário Paint Brush sobre a imagem acima pra deixar mais claro...
     Aqui a cena captada pelo sensor Full Frame:
    E aqui a mesma cena captada por um sensor menor:

     Agora quanto à queda de qualidade da imagem entre um sensor Full Frame para um menor, vamos usar a imaginação. Imagine que você é um pintor renomado que recebeu a árdua tarefa de reproduzir fielmente em um cartão de visita, a Monalisa. Você pode até deixar o quadro completamente reconhecível, mas com certeza não estarão lá todos os detalhes da obra original. É mais ou menos isso o que acontece com a qualidade de imagem conforme o sensor reduz seu tamanho. É por essas e outras ainda que muita gente fica decepcionada quando comparam suas fotos feitas com câmeras de sensor pequeno (compactas e superzoom), com fotos de pessoas que usam câmeras com sensor maior (DSLR).
      Bom, agora vocês entenderam (pelo menos espero que sim) como saber se uma determinada quantidade de Zoom será o suficiente para você, e como o tamanho do sensor influencia na qualidade da imagem.
        Em breve, seguimos com nosso Tutorial, na parte 2.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Nova atualização do Checklist (Junho 2016)

    Olá prezados leitores!
    Como prometido, disponibilizamos a nova edição do Checklist das Aves de Londrina, agora com as duas mais recentes descobertas para nossa cidade, o Turu-turu (Neocrex erythrops) e o Zidedê (Terenura maculata). Com isto, Londrina chega a marca de 346 espécies, com registros "recentes".
     Para baixar o checklist atualizado CLIQUE AQUI!
     Em breve, a nova postagem sobre como escolher uma boa câmera fotográfica para "passarinhada".

     Quer passarinhar conosco? Envie um email para gtaongmae@gmail.com com a data de sua preferência, quantidade de pessoas e etc. Assim podemos combinar um roteiro incrível, e de acordo com suas necessidades!


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nova espécie para Londrina: o Turu-turu (Neocrex erythrops)

Turu-turu (Neocrex erythrops) encontrado em Londrina - PR.

   Eu sei, a foto impressiona, mas calma, é por um bom motivo!
Eis que numa tarde qualquer (30/11/2015), um colega passarinheiro da "nova safra", me contacta com certa urgência, para a identificação de uma ave que fora encontrada morta próximo à sua casa faziam algumas horas.
O nome do garoto é Breno Tamarozzi, e com apenas 13 anos já angariou uma quantidade de fotos e registros de aves de fazer inveja a muitos veteranos (Breno no Wikiaves).
   Pois bem, ele me enviou a foto do "falecido", e a primeira vista, pela tela do computador, me veio a mente o Inhambú-chororó (Crypturellus parvirostris),  mas a dúvida ainda pairava. Afinal, o bicho apareceu no meio da cidade, e era um tanto inimaginável ser uma espécie até então nunca registrada por essas bandas.
Na dúvida, Breno colocou na página de identificação de aves do Facebook, e identificaram como Turu-turu (Neocrex erythrops). Fiquei perplexo com a situação, por se tratar de uma espécie pouco estudada, e cuja distribuição no Paraná é meio enigmática. Em uma busca rápida a acervos digitais, encontrei um único registro confirmado de Turu-turu no Paraná, que foi de um espécime coletado à margem do Rio Chopim (Pato Branco - PR) em 2001, e que está tombado no Museu de Historia Natural Capão da Imbuia (confira no Livro Vermelho do Paraná). Eu acredito que possam existir outros registros no estado, mas que ainda não foram divulgados, ou talvez estejam restritos à alguma universidade ou no prelo de alguma revista científica. Mas é inegavel que se trata de uma ave muito pouco conhecida por aqui.
   Breno pediu que eu fosse lá ver o bicho, e depois levar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pra mostrar para os professores e pesquisadores de lá.
Foi o que fiz, e depois de constatar ser mesmo o Turu-turu, fui para a UEL dos mais renomados pesquisadores de ornitologia do Brasil, o prof. PhD. Luis dos Anjos. Ele ficou extremamente surpreso, e destacou a capacidade de deslocamento destas aves "de brejo" que de tão dinâmicas fica difícil prever onde aparecerão e o por que da ocorrência. Perguntei pro professor se podíamos tombar o bicho no Museu de Zoologia da UEL, para que fique registrada oficialmente a ocorrência da espécie pra Londrina - PR. Ele de imediato me acompanhou até o responsável pelo Museu, e deixamos a ave lá para ser tombada.
   É mais uma espécie para nossa querida Londrina (que será incluida na primeira versão do nosso checklist de 2016) e que vem pra lembrar que jamais devemos considerar como "definitiva" a lista de espécies de qualquer lugar. Sempre haverão aquelas espécies que desaparecem enquanto outras surgem. Os motivos reais dessas mudanças dificilmente compreenderemos por completo. 
   O que importa, é interferirmos o mínimo possível nessa dinâmica. Será que nós humanos somos capazes de sermos apenas espectadores e não os diretores dessas mudanças?
   E para finalizar, que o próximo encontro com o Turu-turu seja com ele vivo e cantarolando, esteja onde estiver dentro da nossa querida Londrina. Bora procurar esse pequeno fantasma do brejo! ;)
   Confira algumas fotos do Turu-turu no Wikiaves.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Nova edição do Checklist das Aves de Londrina - PR (OUTUBRO 2015)

    É com muita satisfação que nós da ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, comunicamos que já está disponível a nova versão do "Checklist das Aves de Londrina - PR". O novo arquivo contém uma lista compilada com 344 espécies com registros recentes na cidade, e está disponível gratuitamente para download em PDF (CLIQUE AQUI PARA BAIXAR). Este Checklist é uma lista dos registros dos membros do Grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE, somada a registros recentes disponibilizados em sites como Wikiaves, Xeno-Canto, e Táxeus.
    De uns tempos pra cá a atividade de observação de aves tem se disseminado cada vez mais no Brasil, e isto tem resultado na criação de inúmeros sites, aplicativos e listas de espécies de praticamente todo país. Pensando nisto, optamos por simplificar um pouco a busca de registros confiáveis das aves, pelo menos da nossa querida e amada cidade de Londrina - PR.

    Fique a vontade pra baixar e repassar pra seus amigos.

    Já fez observação de aves em Londrina?

Contato para guias da ONG MAE: gtaongmae@gmail.com