Bem vindo ao Blog de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE!

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Se você é ornitólogo profissional ou amador, ou um simples amante da natureza em especial da avifauna, este é o seu Blog. De agora em diante serão postadas novidades, notícias e informações interessantes obtidas através das pesquisas e atividades realizadas pela ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, sobre a avifauna brasileira.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Nova atualização do Checklist (Junho 2016)

    Olá prezados leitores!
    Como prometido, disponibilizamos a nova edição do Checklist das Aves de Londrina, agora com as duas mais recentes descobertas para nossa cidade, o Turu-turu (Neocrex erythrops) e o Zidedê (Terenura maculata). Com isto, Londrina chega a marca de 346 espécies, com registros "recentes".
     Para baixar o checklist atualizado CLIQUE AQUI!
     Em breve, a nova postagem sobre como escolher uma boa câmera fotográfica para "passarinhada".

     Quer passarinhar conosco? Envie um email para gtaongmae@gmail.com com a data de sua preferência, quantidade de pessoas e etc. Assim podemos combinar um roteiro incrível, e de acordo com suas necessidades!


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nova espécie para Londrina: o Turu-turu (Neocrex erythrops)

Turu-turu (Neocrex erythrops) encontrado em Londrina - PR.

   Eu sei, a foto impressiona, mas calma, é por um bom motivo!
Eis que numa tarde qualquer (30/11/2015), um colega passarinheiro da "nova safra", me contacta com certa urgência, para a identificação de uma ave que fora encontrada morta próximo à sua casa faziam algumas horas.
O nome do garoto é Breno Tamarozzi, e com apenas 13 anos já angariou uma quantidade de fotos e registros de aves de fazer inveja a muitos veteranos (Breno no Wikiaves).
   Pois bem, ele me enviou a foto do "falecido", e a primeira vista, pela tela do computador, me veio a mente o Inhambú-chororó (Crypturellus parvirostris),  mas a dúvida ainda pairava. Afinal, o bicho apareceu no meio da cidade, e era um tanto inimaginável ser uma espécie até então nunca registrada por essas bandas.
Na dúvida, Breno colocou na página de identificação de aves do Facebook, e identificaram como Turu-turu (Neocrex erythrops). Fiquei perplexo com a situação, por se tratar de uma espécie pouco estudada, e cuja distribuição no Paraná é meio enigmática. Em uma busca rápida a acervos digitais, encontrei um único registro confirmado de Turu-turu no Paraná, que foi de um espécime coletado à margem do Rio Chopim (Pato Branco - PR) em 2001, e que está tombado no Museu de Historia Natural Capão da Imbuia (confira no Livro Vermelho do Paraná). Eu acredito que possam existir outros registros no estado, mas que ainda não foram divulgados, ou talvez estejam restritos à alguma universidade ou no prelo de alguma revista científica. Mas é inegavel que se trata de uma ave muito pouco conhecida por aqui.
   Breno pediu que eu fosse lá ver o bicho, e depois levar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pra mostrar para os professores e pesquisadores de lá.
Foi o que fiz, e depois de constatar ser mesmo o Turu-turu, fui para a UEL dos mais renomados pesquisadores de ornitologia do Brasil, o prof. PhD. Luis dos Anjos. Ele ficou extremamente surpreso, e destacou a capacidade de deslocamento destas aves "de brejo" que de tão dinâmicas fica difícil prever onde aparecerão e o por que da ocorrência. Perguntei pro professor se podíamos tombar o bicho no Museu de Zoologia da UEL, para que fique registrada oficialmente a ocorrência da espécie pra Londrina - PR. Ele de imediato me acompanhou até o responsável pelo Museu, e deixamos a ave lá para ser tombada.
   É mais uma espécie para nossa querida Londrina (que será incluida na primeira versão do nosso checklist de 2016) e que vem pra lembrar que jamais devemos considerar como "definitiva" a lista de espécies de qualquer lugar. Sempre haverão aquelas espécies que desaparecem enquanto outras surgem. Os motivos reais dessas mudanças dificilmente compreenderemos por completo. 
   O que importa, é interferirmos o mínimo possível nessa dinâmica. Será que nós humanos somos capazes de sermos apenas espectadores e não os diretores dessas mudanças?
   E para finalizar, que o próximo encontro com o Turu-turu seja com ele vivo e cantarolando, esteja onde estiver dentro da nossa querida Londrina. Bora procurar esse pequeno fantasma do brejo! ;)
   Confira algumas fotos do Turu-turu no Wikiaves.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Nova edição do Checklist das Aves de Londrina - PR (OUTUBRO 2015)

    É com muita satisfação que nós da ONG MAE - Meio Ambiente Equilibrado, comunicamos que já está disponível a nova versão do "Checklist das Aves de Londrina - PR". O novo arquivo contém uma lista compilada com 344 espécies com registros recentes na cidade, e está disponível gratuitamente para download em PDF (CLIQUE AQUI PARA BAIXAR). Este Checklist é uma lista dos registros dos membros do Grupo de Ornitologia e Birdwatching da ONG MAE, somada a registros recentes disponibilizados em sites como Wikiaves, Xeno-Canto, e Táxeus.
    De uns tempos pra cá a atividade de observação de aves tem se disseminado cada vez mais no Brasil, e isto tem resultado na criação de inúmeros sites, aplicativos e listas de espécies de praticamente todo país. Pensando nisto, optamos por simplificar um pouco a busca de registros confiáveis das aves, pelo menos da nossa querida e amada cidade de Londrina - PR.

    Fique a vontade pra baixar e repassar pra seus amigos.

    Já fez observação de aves em Londrina?

Contato para guias da ONG MAE: gtaongmae@gmail.com



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Arco Norte SIM, Perto da Mata NÃO: ajude a salvar a Mata dos Godoy

        Olá prezados leitores. Esta postagem será diferente das que vocês já estão familiarizados, e abordará um problema recente e eminente para a cidade de Londrina e toda região norte do Paraná. O problema tem nome e sobrenome: Arco Norte.
     O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento regional que visa a instalação de um complexo comercial-industrial-aeroportuário na região norte do Paraná. Este projeto é baseado num conceito chamado "Aerotrópole", que nada mais é do que a construção de um aeroporto (daqueles para receber aviões cargueiros 24 horas por dia) rodeado por instalações de indústria e comércio, e esta combinação tem objetivo de criar uma estrutura que permita a produção, manufatura, distribuição e comercialização praticamente tudo no mesmo local, reduzindo custos logísticos.
     Até aí tudo ótimo, o projeto é maravilhoso, super importante para a região, vai criar milhares de empregos entre temporários e fixos, e vai acelerar o desenvolvimento de Londrina e cidades satélites. Mas como tudo de grandioso que o homem criou, este projeto vem acompanhado de uma grandiosa inconsequência na escolha de sua área de instalação. Já tivemos exemplos de mega-empreendimentos no Brasil que nos custaram riquezas naturais insubstituíveis e que hoje estamos descobrindo a cada dia que passa, quão importantes elas são e o quanto dependemos delas. Alguns exemplos de mega-empreendimentos que foram mega-destruidores ambientais são: a Usina de Itaipú (que fez desaparecer o parque das 7 quedas e inundou uma das regiões mais biodiversas do Brasil), a Usina Mauá (que fez desaparecer outro ponto de altíssima biodiversidade do Paraná incluindo patrimônios arqueológicos), a transposição do Rio São Francisco que mau saiu do papel e a região já enfrenta os efeitos da seca.
        No caso do Arco Norte, a área escolhida para instalação é um platô divisor de águas (popularmente chamado de espigão) a aproximadamente 500m do Parque Estadual Mata dos Godoy, uma das maiores e mais importantes unidades de conservação do norte do Paraná. O parque tem sua importância destacada pela grande riqueza e diversidade que ali habitam. Espécies ameaçadas de extinção no estado do Paraná (Mikich & Bernils, 2004) é o que não falta na Mata dos Godoy, só da fauna são 28 espécies ameaçadas, dentre estas espécies podemos destacar a Anta (Tapirus terrestris) e o Gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus), e no que diz respeito à flora a lista de ameaçadas estadual está sendo atualizada, mas dentre as espécies constantes na lista antiga podemos destacar a majestosa Peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron). Ocorrem ainda no Parque o Cedro (Cedrella fissilis) e o Palmito-juçara (Euterpe edulis) considerados ameaçados nacionalmente (Martinelli & Moraes, 2013).
      Além de um oásis da biodiversidade, o Parque é conhecido pelos serviços ambientais que presta sem cobrar nada da população. Dentre estes serviços estão a manutenção da qualidade de água do ribeirão apertados, onde há estações de captação de água para consumo em Londrina e região metropolitana, além de ser um afluente do Rio Tibagi, principal rio da região de onde muita gente tira seu sustento.
      Outro serviço prestado é o aumento da fertilidade do solo nas propriedades agrícolas ao redor, serviço este que é inerente a qualquer fragmento florestal nas regiões agrícolas, no entanto, os maiores (como é o caso do Parque) são mais eficientes nesta função (Cunha et al, 2003).
       Existem ainda outros serviços prestados pela mata, mas creio que estes citados já dão uma boa noção da importância do parque para a região, e sem deixar este texto muito longo.
       Agora o que dizem os empreendedores defensores da instalação do Arco Norte? Antes de mais nada, deixo claro que os comentários dos empreendedores, não são reproduções literais, mas sim "traduções" da linguagem do "embromation corporativo" para o popular. E a ideia central dos comentários está escrita em Vermelho.
       Obviamente, começam com o discurso da criação de empregos e desenvolvimento regional. Ok, até aí, é uma argumentação legítima. Benefícios econômicos e sociais deste projeto podem ser relevantes, e o desenvolvimento pode ser uma consequência, mas será que devemos nos desenvolver em detrimento dos recursos ambientais? Não há alternativas de outras localidades? Claro que há outros locais, não é a toa que o nome do nosso movimento é "Arco Norte Sim! Perto da Mata Não".
       Mas não pararam por aí, quando são questionados sobre a viabilidade ambiental deste projeto, começa o show de horrores argumentativos.
       Dentre eles uma frase que me marcou bastante quando ouvi: "O barulho dos aviões vai ser traumático só nos primeiros dias, depois os passarinhos estarão acostumados e até surfarão nas turbinas".
       Parece mentira que disseram isso né? Antes fosse meus caros... antes fosse.
      Outro argumento-show foi dizer que não haverá impactos sobre a fauna e flora da mata, um monte de aviões cargueiros (Antonov) subindo e descendo 24 horas, muito menos na qualidade da água do ribeirão apertados.
     Afinal, que mal tem um monte de barulho, borracha de pneus de caminhão e avião, combustível e demais resíduos naturalmente liberados pelas atividades humanas sendo lixiviados para dentro da mata. E o pior é encherem a boca para dizer isso batendo no peito que tem o "know how" de 20 anos de experiência neste ramo e que nunca houve problemas.
       Ok, eles têm 20 anos de experiência no ramo e dizem ter "know how" pra executar obras deste tipo. Mas desde quando os 30 anos de pesquisas científicas das universidades da região (em especial a UEL - Universidade Estadual de Londrina) na Mata dos Godoy devem ser menosprezados nas discussões de projetos deste tipo?
       São 30 anos de estudos científicos que atestam a importância e a sensibilidade do Parque Estadual Mata dos Godoy, e há argumentos suficientes para praticamente retirar a cidade de Londrina do mapa em prol do Parque (calma gente claro que foi apenas um pouquinho de extremismo didático e não queremos isso acontecendo). Ou seja, se os 20 anos de experiência destes senhores empreendedores são suficientes para afirmar que o Aeroporto pode ser instalado sem impactos significativos, o que dizer dos 30 anos de estudos das Universidades que mostram sob várias óticas, justamente o contrário?
         Não teriam as Universidades NO MÍNIMO o mesmo "know how" destes empreendedores?
         Mas por que elas estão sendo ignoradas?
     Outro argumento-show dos empreendedores é dizer que não há sequer um projeto, há apenas especulações, e idéias, nada mais. 
       Mas poxa, que ideia cara esta que custa 2 milhões de reais para que sejam feitos estudos de viabilidade deste "projeto", costumo ter várias idéias, mas são gratuitas ou muito baratas.
     Ah, outra argumentação-show que os empreiteiros fazem quando pressionados é uma comparação - quase surreal - do Arco Norte, com o Aeroporto de Foz do Iguaçu, que faz divisa com o Parque Nacional do Iguaçu, maior unidade de conservação do Paraná, e segundo eles, não causa grandes impactos (apesar de até hoje não entender o que é grande impacto pra eles)..
        Quem escuta essa comparação e não conhece muito dos projetos e respectivas regiões, pode até achar válida mas vamos aos fatos, ou melhor, imagens.
        A seguir, imagens de satélite (Google Earth) comparando as duas situações, Arco Norte e Aeroporto de Foz do Iguaçu:
         Começando pelo Parque Nacional do Iguaçu e seu vizinho Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, uma imagem de satélite destacando a proximidade dos dois.
Aeroporto Foz do Iguaçu e Parque Nacional do Iguaçu. Fonte Adaptado de GOOGLE EARTH.
         Difícil de ver o aeroporto né? vou ampliar a região um pouco...

Aeroporto Foz do Iguaçu e Parque Nacional do Iguaçu, Aproximado 1. Fonte Adaptado de GOOGLE EARTH.
       Ainda difícil de ver o aeroporto né? Vou ampliar um pouco mais...

Aeroporto Foz do Iguaçu e Parque Nacional do Iguaçu, Aproximado 2. Fonte Adaptado de GOOGLE EARTH.
      Agora é possível ver (com certa dificuldade) a grande pista do aeroporto de Foz do Iguaçu, e a proporção do aeroporto em relação ao Parque Nacional.
      Pois então, vamos ao caso do Arco Norte paranaense, como o aeroporto ainda não existe (ainda bem) obviamente não estará visível no Google Earth, mas tenho imagens da apresentação do projeto que vão ajudar na percepção da proporção Aeroporto do Arco Norte e Parque Estadual Mata dos Godoy. 
      Vamos à primeira das imagens, capturada durante uma apresentação do projeto aberta ao público, organizada pela rádio CBN, apenas uma representação gráfica do projeto em um mapa.

Projeto Arco Norte exibido durante apresentação organizada pela rádio CBN.
      Agora mais uma imagem capturada durante a apresentação (esquerda), desta vez de uma imagem de satélite em baixa resolução, comparada com uma imagem de satélite do mesmo lugar retirada do Google Earth, com melhor resolução.


     E por fim, uma imagem Google Earth do local, indicando onde será instalado o aeroporto (seta amarela), e indicando onde fica o Parque Estadual Mata dos Godoy (PEMG).

Imagem de satélite da área onde planejam instalar o aeroporto do Arco Norte e o PEMG. Fonte: GOOGLE EARTH.
     Agora eu sugiro a você estimado leitor, que compare as duas situações. Atente para os tamanhos do aeroporto de Foz do Iguaçu e do P. N. de Foz do Iguaçu, e compare com os tamanhos do Aeroporto do Arco Norte e do PEMG.
      Precisa dizer algo mais pra mostrar o quão absurdo é justificar o Arco Norte com o caso de Foz do Iguaçu? Acho que não né? O aeroporto de Foz é praticamente engolido, e ainda por cima, por um dos trechos mais estreitos do P.N. do Iguaçu, enquanto o aeroporto do Arco Norte, vai praticamente engolir o PEMG.
      Mas mesmo assim, preciso dizer só mais uma coisa, um "pequeno detalhe" ignorado pelos empreiteiros. O projeto do Arco Norte, em especial o seu aeroporto, está situado na zona de amortecimento do PEMG, ou seja, região onde deveriam haver grandes restrições de atividades humanas e ser protegida por lei.
      Construir o Arco Norte ali só deixaria claro que a lei funciona apenas para os pequenos, enquanto os grandes, moldam-na de acordo com seus interesses. E acreditem, a área chegou a ser declarada de utilidade pública (o que revogou as restrições da zona de amortecimento) pela administração municipal passada. No entanto, esta declaração foi retirada pela administração atual (menos mal), mas ainda assim, o Arco Norte ainda assombra como se nada disso fosse suficiente para impedir sua concretização.
      Quer saber mais? Nós da ONG MAE fizemos um vídeo muito esclarecedor sobre os motivos do Arco Norte NÃO PODER ser instalado do lado do Parque Estadual Mata dos Godoy. Ha também um abaixo assinado, se quiser contribuir, agradecemos desde já. Os links para o video e para o abaixo assinado estão logo abaixo.
      E para não esquecerem do nosso lema, ARCO NORTE SIM, PERTO DA MATA NÃO!





REFERÊNCIAS:

Cunha et al. (2003): http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/2179/1871
Mikich & Bernils (2004): http://www.maternatura.org.br/livro/index.asp?idmenu=intr&idgrupo=0
Martinellis & Moraes (2013) http://cncflora.jbrj.gov.br/LivroVermelho.pdf.